Blog do Savioli


Velho hábito e uma coincidência

Resolvi, mais uma vez, adotar o velho hábito do ano passado.  Recapitulando, assistia a todos os jogos do Flu na reta final daquela prova para cardíacos que foi o campeonato de 2009 sozinho em casa, eu e meus fantasmas.  Diga-se de passagem, fantasmas tricolores, porque, ao final do drama, pude comemorar a fuga do rebaixamento em solo curitibano.

Falando em solo curitibano, vai aí uma coincidência.  No ano passado, na trigésima primeira rodada, o Fluminense conseguiu, contra o Goiás, um empate milagroso.  O placar?  2x2.  O autor do gol de empate, inesperado, um argentino.  De bola parada.  Na ocasião, o autor do gol foi Equi Gonzalez.  Alguém sabe por onde anda?  Dessa vez foi Conca.  Ambos os gols foram de bola parada.  O primeiro de falta, o segundo de pênalti.

E as coincidências param por aqui.  Naquela ocasião, o Fluminense se recusava a aceitar o rebaixamento.  Agora, o Fluminense se recusa a não ganhar o tri-campeonato brasileiro.

O Fluminense, no jogo de hoje, foi superior o tempo todo, sobretudo pela entrega de seus jogadores.  Nos primeiros 20 minutos o Fluminense encurralou o Atlético em seu campo, ocupando todos os espaços e ignorando o tal "caldeirão" rubro-negro.  Oportunidade, no entanto, só uma, com Rodriguinho, que cabeceou, livre, próximo ao travessão.

Porém, como Rodriguinho e Washington não se entendessem e desperdiçassem as poucas jogadas criadas pelo nosso meio de campo, as oportunidades acabaram sendo iguais para os dois lados.

Como não acertava nada no ataque, Washington resolveu atuar do outro lado e, aos dezesseis minutos, cabeceou contra o próprio gol.

Um jogo que parecia morno, sem muitas oportunidades, acabou incendiado.  Num primeiro momento, o Fluminense ficou baratinado dentro de campo, proporcionando contra-ataques ao Atlético.  Em um deles, Diguinho derrubou Gerron na entrada da área, dando aos patéticos a oportunidade de reclamar um pênalti.  O juiz não deu nem falta nem pênalti.

Em seguida, no entanto, aos 38, validou gol em impedimento do time paranaense.  O jogo já estava empatado.  O gol tricolor foi um capítulo à parte, um presente dos deuses.  Marquinho, no momento em que tudo indicava que o Fluminense naufragaria em passes errados, acertou uma bomba santa no canto esquerdo do goleiro Neto.

Sabe esses jogos em que você não consegue enxergar a derrota?  Pois bem.  O Atlético fez 2x1 aos 38 minutos do segundo tempo, num momento em que era totalmente dominado em campo.  Resultado bem injusto, porque o time do Atlético não faz por justificar a conquista de uma vaga na Libertadores.  Se nós errávamos muitas jogadas, eles erravam quase todas.

Se a justiça não foi feita e não ganhamos a partida, a casa atleticana caiu aos 40 minutos, quando Tartá, que entrara no lugar de Rodriguinho, sofreu pênalti que Conca cobrou, vestindo a 10 em homenagem a Pelé, empatando o jogo novamente.

A luta pelo título continua.  Até porque, o meio campo que jogou hoje foi o mesmo que carreou nossa trajetória pré-Copa.  Já o nosso ataque...  Washington e Rodriguinho mereciam uma bola para cada.  Abusaram de não servir o outro no momento final, matando vários ataques.  Está triste de ver.  Washington ainda criou problemas para o goleiro adversário em duas jogadas.  No primeiro tempo cobrou uma falta perigosíssima, que Neto espalmou a escanteio.  No segundo, fez jogada individual e finalizou perigosamente, mas Neto jogou a escanteio novamente.  Já Rodriguinho...

Bem, Rodriguinho está fora do próximo jogo.  Não consigo imaginar que vá fazer falta.  Afinal, se Muricy repetir a receita de hoje, teremos Tartá correndo de um lado para o outro sem produzir nada também.  Será um substituto à altura.

A parte boa é que Mariano volta, apesar de Thiaguinho ter feito uma boa partida, sobretudo na parte defensiva.  Porém, ofensivamente, Mariano é insubstituível, a não ser que repita a atuação ridícula do domingo passado.



 Escrito por Savioli às 18h33 [] [envie esta mensagem] []






Quem patrocina quem?

Essa é uma pergunta que vem me provocando ultimamente.  Evidente que a origem da mesma reporta à velha discussão, na qual já me aventurei, sobre o modelo de parceria vigente entre Fluminense e Unimed.

Tenho, até hoje, defendido que o Fluminense, por não ter um planejamento, vive a reboque do planejamento alheio.  É fato, e está nítido, que o Fluminense não tem um.  Porém, o que nos perguntamos é se essa constatação não nos mantem na superfície do problema.  Em outras palavras, a quem interessa que o clube não se planeje?  Quem ganha com isso?

Vejamos.  O Fluminense acumulou déficit contábil de cerca de R$70 milhões nos últimos dois anos.  Sua dívida já é a maior de todas.  No entanto, o clube, sobretudo nesse segundo semestre de 2010, aumentou consideravelmente o seu gasto com futebol.  Em contrapartida, não consta que o Fluminense tenha gerado alguma nova receita, além, exceto, do cambaleante sócio-torcedor e da entrada maciça de novos sócios a partir do ano passado.

Ora, se você tem um balanço deficitário, como justificar um aumento de gastos, ainda que a receita aumente na mesma proporção?  É o mesmo que se dar por satisfeito com um déficit médio anual de R$35 milhões, passível, inclusive - que Deus tenha piedade de nós! - de aumentar.

O que explica tanta insensatez?  Seria somente um caso de irresponsabilidade?

Voltamos então à questão do patrocínio.  Patrocínio não.  Parceria é a palavra certa.  Sabemos que todo o dinheiro investido pela Unimed no Fluminense é destinado ao departamento de futebol.  Até aí, não há problema algum.  Um patrocinador exclusivo para o futebol é algo absolutamente normal, partindo do princípio que, adotando o conceito de unidade de negócios, é salutar que o esporte gere suas próprias receitas.

O problema começa quando o clube, deficitário, empobrecido e endividado, divide a conta do futebol com a patrocinadora.  Já ouvimos falar em 10%, 20%, 30% e uma infinidade de hipóteses por cento.  Não importa.  O fato é que não há investimento no C.T. de base, o clube não melhora sua estrutura, vende seus jovens talentos prematuramente, antecipa outras receitas, compromentendo receitas futuras, não consegue pagar o corrente de suas dívidas e ainda gera novos passivos trabalhistas.  Tudo para manter um time "galáctico" e questionavel do ponto de vista esportivo.

Dizer que a parceira de negócios ganha qualquer coisa com nossos fracassos esportivos, seria teoria da conspiração demais.  Negar que os resultados esportivos não estejam, no entanto, no topo das prioridades, não é mais que ingenuidade.

Analisando esse quadro, alguem teria dúvidas para responder qual a prioridade de todo - eu disse todo - o clube nos últimos anos?  Eu não tenho.  A prioridade do Fluminense F.C., nos últimos anos, é contratar para o futebol profissionais de grife, com alto valor de imagem, para associá-los à marca da parceira econômica, dando-lhe visibilidade.

Eis a razão de tanto me atormentar a pergunta.   Quem patrocina quem?  Se há um patrocinador nessa história, é o Fluminense.  Um patrocinador que não ganha nada.  Não ganha investimentos, não ganha ativos e não ganha títulos.  Nem mesmo os títulos.  Ora, se gastássemos fortunas no futebol e, ao menos, ganhássemos títulos, diríamos que se trata de investimento.  Até porque, títulos trazem premiações, novos torcedores, prestígio e atraem novos investidores ( ? ).

No entanto, vemos que poucas vezes temos nos planejado para ganhar títulos, montando elencos para uma temporada inteira.  O ano de 2008 foi sintomático.  Montamos um time, não um elenco, capaz de ganhar a Libertadores, que perdemos por conta de um planejamento estúpido, que deixou o time vinte dias parado, perdendo o ritmo de competição, antes do primeiro jogo da decisão em Quito.  Porém, o brasileiro já se iniciara e não tínhamos um elenco para disputá-lo.  Terminada a Libertadores, perdemos também o time, com vários jogadores saindo para o exterior e nenhuma reposição.  Resultado, o de sempre, quase fomos parar na série B.

Falando em coisas sem sentido, alguém entende que, tendo o atleta Fred um contrato até 2012, o Fluminense tenha aumentado o tempo desse contrato, mesmo o jogador sendo mais assíduo ao departamento médico que aos campos?

Poderíamos citar outras trapalhadas, mas deixamos ao leitor esse exercício.

O que temos que constatar é que, independente de abordarmos o assunto na superfície ou mais aprofundadamente, as soluções continuam sendo as mesmas.

A começar pela questão planejamento.  Entender planejamento no Fluminense é, acima de tudo inversão de prioridades.  A prioridade de qualquer gestão séria - eu disse séria - é estancar a sangria, no mínimo equilibrar o balanço.  E não adianta dizer que geraremos receitas fabulosas no curto prazo, porque essa mágica não existe.  Não é à toa que já defendi que qualquer um que se candidatasse à presidência do Fluminense, teria que vir com um planejamento minucioso, capaz de começar a ser implementado logo no primeiro dia de mandato.

Dependendo do quão competente seja esse planejamento, podemos sonhar, no médio prazo, com superávit e investimentos.  Mas para isso, é indispensável que deixemos, desde já, de patrocinar o nosso patrocinador.  É preciso que o Fluminense defina o que quer para a sua vida nos próximos três anos e qualquer parceiro que venha a se unir a esse projeto, tem que tirar o seu ganho do mesmo e não de alterar o rumo ao seu bel prazer.



 Escrito por Savioli às 13h01 [] [envie esta mensagem] []






Pensamento positivo e planejamento pessimista

Tenho sempre defendido que devemos pensar positivo e planejar de forma pessimista.

Nunca antes na história do Fluminense essa premissa me pareceu tão verdadeira.  Haja pensamento positivo para mover as montanhas de obstáculos e haja pessimismo para prever tantas peripércias, tantas peças pregadas, tantas cascas de banana no caminho!

Há uma semana, aqui mesmo, eu celebrava o fato de termos à disposição todas as peças que, em determinado momento do campeonato, nos levaram à liderança.  No jogo de domingo o Fluminense começou com uma mistura do 4/4/2 de antes da Copa com o ataque do pós-Copa, com Emerson e Washington.  Mas a felicidade durou pouco e Emerson só ano que vem.

Esperávamos ou, pelo menos, sonhávamos que essa semana pudesse ser de grande expectativa para vermos, no próximo domingo, todo o milionário elenco tricolor em campo, expectativa essa que também ficou para o ano que vem.

Pelo menos hoje existe a possibilidade da volta de Deco já no próximo jogo.  Porém, não teremos Mariano, suspenso.  Seria como dizer que podemos ter de volta o time que conquistou a última sequência de vitórias, porém, sem Mariano.  E tem sido essa a nossa trajetória.

Conseguimos três formações vitoriosas que, quando pareciam imbatíveis, foram destruidas pelas lesões, suspensões, convocações e outros "ões".

A nova expectativa agora é contar com Fred contra o Grêmio.  Com a ausência de apenas Emerson, teríamos praticamente a formação ideal, com algum goleiro, Mariano, Gum, Leandro Euzébio e Carlinhos.  Diogo, Diguinho, Deco e Conca.  Rodriguinho e Fred.  Alguém encara?

Porém, antes disso, vamos nós, sem saber quem vamos, encarar o Furacão, como se já não estivéssemos enfrentando um há muito tempo.  Vida que segue!  Em que pese as dificuldades, estamos a um ponto do líder, que enfrenta uma pedreira, o Atlético MG, o Galo Vingador, ressurgente das cinzas.

Tomara que Fred também ressurja das cinzas para dissipar a nuvem de fumaça e de pessimismo que se abateu sobre o universo tricolor.

Enquanto isso, muito galho de arruda, banho de descarrego, água benta e oração!  Porque fazer prognósticos, analisar as possibilidades... só ano que vem.



 Escrito por Savioli às 16h01 [] [envie esta mensagem] []






Parece que a briga ficará entre Cruzeiro e Fluminense

As projeções para o final do campeonato mudaram pouco desde a última semana.

A pontuação necessária para a conquista do título foi reduzida.  Nesse momento, 72 pontos garantem a fatura.  A derrota do Cruzeiro não reduziu o favoritismo, apenas a  projeção de pontos.  A tendência atual indica uma briga restrita a Cruzeiro e Fluminense.  A surpresa é que o Grêmio, apesar da colocação, se tornou a maior ameaça a esse quadro, mas nada consolidado ainda.

A tendência de movimentação está no meio da tabela.  Grêmio, Botafogo, São Paulo e Palmeiras são os maiores pontos de interrogação.

Na parte de baixo, Goiás e Avaí vão se consolidando como candidatos ao rebaixamento.  Quem pode entrar nessa briga é o Guarani, em queda, que enfrenta a ameaça dos Atléticos.  O vitória ainda necessita de cuidados.  A pontuação para fugir da degola, hoje, é de 44 pontos.

A semelhança com 2009 fica por conta da imobilidade na parte de cima da tabela, transformando a luta pela terceira vaga na Libertadores uma grande icógnita.  O Coríntians sofre a ameaça de perder a vaga, que pareceu, durante muito tempo, garantida.

Cruzeiro ( 71 a 68 pontos ) - Na semana passada a previsão era de 74 a 69 pontos.  O que mudou foi a elasticidade e a sensação de movimentação.  A tendência é de chegar em primeiro, consolidada apesar da derrota para o Grêmio.

Fluminense ( 67 a 65 pontos ) - Na semana passada a previsão era de 68 a 63 pontos.  Assim como o Cruzeiro, reduziu a tendência de movimento.  Tendência clara de garantir a vaga na Libertadores.  Para alcançar o tri, no entanto, precisa reverter a tendência atual.

Grêmio ( 66 a 57 pontos ) - Na semana passada a previsão era de 63 a 56 pontos.  É candidato à vaga para a Libertadores, mas a tendência de movimentação é tão forte que não seria de assombrar se ainda vier a brigar pelo título.  São os números que o dizem.

Coríntians ( 63 a 57 pontos ) - Na semana passada a previsão era de 65 a 61 pontos.  Tendência de movimentação.  Não quer dizer que seja para baixo, mas a briga pelo título parece distante e a vaga na Liberadores comprometida.

Santos ( 61 a 60 pontos ) - Na semana passada a previsão era de 60 a 59 pontos.  Não variou e continua com tendência de exibir o futebol dos seus meninos até o final do campeonato, já que tem vaga garantida na Libertadores.

Atlético PR ( 61 a 59 pontos ) - Na semana passada a previsão era de 59 a 57 pontos.  Deve terminar próximo ao Santos, porém, sem vaga na Libertadores garantida, pode chegar ao campeonato apenas à passeio.

Internacional ( 61 a 57 pontos ) - Na semana passada a previsão era de 64 a 63 pontos.  Quando será mesmo o Mundial?

São Paulo ( 60 a 53 pontos ) - Na semana passada a previsão era de 54 a 51 pontos.  A maior variação e tendência de movimentação diagnosticada.  Esperemos pelas próximas rodadas.

Palmeiras ( 59 a 54 pontos ) - Na semana passada a previsão era de 61 a 55 pontos.  Sem variação.  Tendência de garantir a vaga na Sulamericana.

Botafogo ( 59 a 53 pontos ) - Na semana passada a previsão era de 59 a 54 pontos.  Não mudou nada e segue a tendência do Palmeiras.

Vasco ( 54 a 51 pontos ) - Na semana passada a previsão era de 53 a 50 pontos. Sem alterações.  Não será surpreendente se terminar o campeonato exatamente na mesma posição de hoje:  o décimo-primeiro lugar.

Ceará ( 49 a 48 pontos ) - Na semana passada a previsão era de 51 a 49 pontos.  Praticamente não variou e deve ficar longe da zona de rebaixamento.

Flamengo ( 48 a 46 pontos ) - Na semana passada a previsão era de 46 a 44 pontos.  O fantasma do rebaixamento ficou distante e a briga é por vaga na Sulamericana.

Guarani ( 45 a 41 pontos ) - Na semana passada a previsão era de 46 a 42 pontos.  Variou pouco, mas o problema vem de baixo, com a evolução dos Atléticos.

Vitória ( 44 a 43 pontos ) - Na semana passada a previsão era de 42 a 39 pontos.  Teve boa variação, com uma tendência menor a movimentação.  Ou seja, correrá risco de rebaixamento.

Atlético GO ( 44 a 40 pontos ) - Na semana passada a previsão era de 41 a 38 pontos. A luta continua, com razoável tendência de movimentação.

Atlético MG ( 41 a 40 pontos ) - Na semana passada a previsão era de 39 a 38 pontos.  Ligeira movimentação.  A luta será árdua.

Avai ( 39 a 35 pontos ) - Na semana passada a previsão era de 40 a 36 pontos.  Ainda mostra ligeira movimentação.  O fato é que é candidato sério ao rebaixamento.

Goiás ( 38 a 36 pontos ) - Na semana passada a previsão era de 40 a 37 pontos.  Pouca variação e muita aflição.

Prudente ( 26 a 25 pontos ) - Na semana passada a previsão era de 27 a 25 pontos.  Será rebaixado.



 Escrito por Savioli às 20h30 [] [envie esta mensagem] []






Time de Guerreiros - A saga 2 - A coroação de um guerreiro

O dia 19 de outubro de 2009 foi uma segunda-feira.  Na véspera, o Fluminense enfrentou o Internacional no Maracanã.

A torcida compareceu em grande número, ratificando seu apoio à equipe que lutava para fugir do rebaixamento à série B. 

O destaque da partida foi o zagueiro Gum, que, naquele dia, conquistou o coração da torcida tricolor, atuando de forma heróica no empate de 2x2.  O Inter fez 1x0 e o Gum empatou de cabeça ainda no primeiro tempo.  No segundo tempo, o Inter voltou a marcar e, com forte marcação, neutralizou as ações tricolores.  Porém, quando tudo parecia perdido, ele mesmo, o guerreiro Gum, foi ao ataque e, como um atacante, marcou o gol de empate.

Com o gol, que levou a platéia ao delírio, o Fluminense reduziu a vantagem para o Botafogo de sete para seis pontos.  Na parte de baixo da tabela, Náutico, Santo André e Sport continuavam se arrastando, acumulando mals resultados e facilitando a tarefa tricolor, que subia de produção a cada jogo.

A situação ainda era muito difícil.  Como agora, faltavam oito rodadas para o fim do campeonato.  Nas oito rodadas até então, somente o Sport cumprira performance superior ao tricolor.  A esperança estava no ar.  O espírito guerreiro estava se enraizando.  A luta só começava e Gum foi o herói de mais aquela batalha.

A exemplo do que ocorreu naquele 18 de outubro, no último domingo o Fluminense empatou.  A situação é bem diferente.  Agora, o Fluminense persegue o Cruzeiro, o líder do campeonato.  A diferença é de um ponto.  O que está em jogo é o tri-campeonato brasileiro.

Ao contrário daquele jogo, a presença da torcida tricolor foi decepcionante, a atuação da equipe abaixo da expectativa e, nem Gum, nem ninguém, teve o bom gosto de mexer no marcador, apesar da boa atuação do zagueiro. 



 Escrito por Savioli às 18h32 [] [envie esta mensagem] []






Que jogo pavoroso

Fluminense e Botafogo, na atualidade, é um clássico que já vem com a marca registrada do empate.  Na noite de hoje, além do costumeiro empate, o torcedor tricolor saiu do Engenhão com cara de poucos amigos.

Mas não se pode exigir outra atitude de quem pagou ingresso para assistir a uma verdadeira pelada, indigna de dois clubes que brigam  na parte de cima da tabela, um pelo título, outro por uma vaga na Libertadores de 2011.

Gum fez uma grande partida, provavelmente o melhor do time.  Exceto por uma trapalhada de nossa defesa, que, aos 20 minutos do segundo tempo, quase propicia a Jobson fazer o gol do jogo, nossa defesa esteve bem.

Faltou um pouco de sorte ao Fluminense, que, com doze minutos, já tinha criado duas oportunidades de gol.  Na primeira, Washington chutou por cima. Na segunda, Diogo, um dos nomes do jogo, acertou um petardo de fora da área, que fez com que Jéferson quase espalmasse a bola para dentro do gol.  Caprichosamente, no entanto, ela encontrou a trave esquerda do arqueiro alvinegro.

Até então, o Botafogo tentava imprimir um ritmo de correria ao jogo, sobretudo explorando os deslocamentos de Jobson pelas pontas.  Jobson até se esforçava, mas parava na marcação de Gum.  Tanto que tentou mudou de lado e passou a tentar pela direita.  Não conseguiu muita coisa.  Nosso sistema defensivo estava muito bem.

Ao perceber que a correria não lhe era favorável, Joel Santana resolveu recuar o time e jogar nos contra-ataques.  Também não funcionou.  O que deu certo foi a marcação individual de Somália a Conca, que quase levou o pequeno gênio à loucura.  Mesmo não estando inspirado, Conca, aos 22 minutos do primeiro tempo, acertou um chute de fora da área que obrigou Jeferson a bater roupa e, no rebote, cometer pênalti em Emerson, que a ele se antecipou. A jogada foi, no entanto, tão rápida, que nem mesmo Emerson percebeu que sofreu a penalidade.

Emerson correu muito, se deslocou e até veio buscar as jogadas no meio.  Saiu no meio do segundo tempo, cansado e contundido, após uma entrada sofrida no tornozelo.  Aparentemente, nada preocupante.

A volta de Diguinho deu consistência na marcação.  Porém, do ponto de vista ofensivo, a atuação ruim dos laterais foi letal para o Fluminense.  Carlinhos ainda correu muito, se apresentou, foi ao fundo, mas não conseguiu acertar, em noventa minutos, nenhum cruzamento.  Já Mariano, parece que os ares da seleção brasileira não lhe fizeram bem.  Até contra-ataque adversário ligou.

Para nossa sorte o Cruzeiro foi derrotado pelo Grêmio e o Santos, uma ameaça que vinha de baixo, perdeu para o São Paulo.  O Coríntians, por sua vez, perdeu o rumo das vitórias.  Voltou a perder pontos em empate com o Guarani, jogo em que, surpreendentemente, em lances questionáveis, Ronaldo teve dois gols anulados.  Quem quizer se abilitar a explicar, que use a palavra.

No todo, estivemos bem defensivamente, o que já é um alento.  Diga-se de passagem, o único.  Ofensivamente, após o Botafogo perceber que não era recomendável partir para cima, o Fluminense não chegou a ser um desastre, mas não conseguiu romper a barreira defensiva botafoguense.  Durante cerca de 75 minutos faltou, acima de tudo, imaginação.  Tanto que as oportunidades, apesar do predomínio tricolor no meio de campo, foram raríssimas.

A parte boa de tudo isso é que o time jogou com vontade, apesar da falta de vocação, de vencer.  Melhor, ficamos a um ponto do Cruzeiro.

Teremos uma semana para trabalhar.  Isso é muito importante.

Precisaremos também controlar a ansiedade de nossos jogadores.  Os erros de passe hoje beiraram o absurdo.  Não se pode confundir vontade com estabanação.  Mas deveríamos também passar a treinar no Engenhão.  Seria a única forma de tirarmos alguma vantagem do pior gramado do Brasileiro, segundo os próprios jogadores.

Nada, entretanto, tem sido tão desastroso como o comportamento de nossa torcida.  O ente capaz de interferir no rumo das batalhas, me escapa a razão, abandonou o time.  Mais uma vez a presença da torcida tricolor foi decepcionante.  Talvez seja conveniente virar a tabela de cabeça para baixo.  Assim estaríamos na iminência de um rebaixamento, razão para a torcida, enfim, se mobilizar.

Nada, nessa campanha, é tão desastroso como a ausência da melhor - melhor? - torcida do Brasil.  Estamos beirando o ridículo.  Beirando não, estamos mergulhando de cabeça na mediocridade. 

Cadê vocês, cadê vocês?



 Escrito por Savioli às 21h12 [] [envie esta mensagem] []






De quem é o clube?

Uma das peculiaridades que temos observado no Fluminense F.C. é a dicotomia entre clubistas ( pejorativamente chamados pelos futebolistas de turma da piscina ) e os futebolistas.

Em que pese haver um tanto de maniqueísmo em tudo isso, os primeiros seriam defensores da priorização do clube social, em detrimento do futebol.  São acusados de estarem por tras das gestões desastrosas que levaram o clube à série C.  Já os futebolistas, entendem que o Fluminense é "Futebol" Clube, logo, o esporte que o clube tem até no nome deve ser a prioridade.

Em uma abordagem resumida, parece ser esse o dilema que divide o clube, acentuado pelo fato de o quadro social estar repleto de pessoas que não são torcedores do Fluminense.

É bom que se entenda que o clube social é, em geral, um fenômeno ligado à comunidade, seja do ponto de vista geográfico, seja do ponto de vista sócio-econômico.  Só para ilustrar com um exemplo próprio, eu mesmo tenho um primo que é botafoguense, porém, morador de Laranjeiras, por questão de comodidade, é sócio do Fluminense.  Menos mal que a esposa é tricolor.  Quanto aos filhos, ainda é uma icógnita.

O fato é que ser sócio do Fluminense está longe de ser um distintivo de devoção às três cores.  Outrossim, está ligado a diversos aspectos dissociados da paixão, como comodidade, conforto e status.  Que interesse podem ter essas pessoas, torcedores de outros clubes, no sucesso esportivo do Fluminense F.C.?

Evidentemente, o dever do Fluminense para com seus sócios é manter o clube limpo, funcionando, bonito e confortável, de forma a justificar o alto custo da mensalidade paga.  Só isso, já é razão suficiente para tratar o clube social como uma questão à parte, cujas receitas são próprias e devem ser revertidas, prioritariamente, para a manutenção do mesmo.

Até aí, embora nem todos concordem 100% com a sentença acima, está resolvido o problema.  A questão, no entanto, é que esse mesmo sócio é quem decide os destinos do clube.  É ele quem vota e elege os signatários do poder.  Sob esse aspecto, a pergunta tema estaria respondida.  O dono é o sócio.

Se, entretanto, a questão fosse simples assim, já seríamos uma bela história ligada ao passado do esporte brasileiro.  O sócio-proprietário, enquanto proprietário do clube, é proprietário do clube social, não do Fluminense F.C.  Diga-se de passagem, o sócio do clube é proprietário da não menos importante, porém minúscula parcela da instituição Fluminense F.C.

Digo não menos importante porque é desse clube social o mérito de ter contribuído, e muito, para a construção da marca Fluminense, através do importante papel que desempenhou na sociedade brasileira, sobretudo na primeira metade do século XX.

Digo minúscula porque o quadro social é um ponto num universo muito maior e diverso, constituído pelos seus milhões de torcedores.  O Fluminense pertence não só aos seus torcedores, mas também ao esporte mundial, a todos os brasileiros, ao patrimônio histórico do Rio de Janeiro.  E aí vem de novo a pergunta:  a quem pertence o Fluminense F.C.?  Eu diria que o Fluminense é tão diverso, tão grande, tão complexo, que ele pertence a ele mesmo, em que pese isso não dizer nada e ao mesmo tempo dizer tudo.

Repito que o Fluminense, enquanto clube social, não pode exigir o selo de tricolor de coração de cada um que deseja usufruir de seus serviços como tal.  Ainda que, não obstante, fossem todos tricolores, estariam, sendo um ponto em um universo, com interesses tão peculiares como são os do sócio, aptos a decidir por todos?

Nesse aspecto, méritos devem ser dados às correntes políticas que se empenharam na campanha pela definição, articulação e mobilização da cidadania tricolor, inundando o clube com novos sócios, todos tricolores, resolvidos a participarem desse processo político, neutralizando a ameaça - sim, trata-se de uma ameaça - de torcedores de outros clubes influenciarem o destino do Fluminense como um todo.

Que a iniciativa merece o nosso aplauso, não há qualquer dúvida.  Porém, estamos diante de uma iniciativa de fora para dentro, quase que heróica, haja vista muitos torcedores estarem sacrificando recursos financeiros em troca de serviço algum, já que moram em outras cidades e até outros estados.  Definitivamente é um preço desproporcional para apenas ter o direito de escolher o presidente do clube do coração.

Tudo isso nos leva a refletir sobre a importância de projetos e ações institucionais para inserir o torcedor nos processos decisórios do clube, transformando, inclusive, essa forte demanda em fonte geradora de receitas.  Como fazer?

Primeiramente sugiro que troquemos o conceito ultrapassado, mesquinho e ufanista de dono, que alimenta uma discussão medíocre e que não conduz a lugar nenhum, por um outro conceito bem mais adequado e moderno: o de cliente.

Trabalhando em cima desse conceito, diríamos que o torcedor do Botafogo, residente em Laranjeiras, com bom poder aquisitivo, que deseja ser sócio do Fluminense em troca de lazer, conforto e exclusividade é um cliente em potencial do Fluminense?  Sim.  É um cliente valioso para o clube e que merece ser tratado como tal.  O fato de torcer para outro clube deve impedir que o mesmo tenha direito a voto?   Não.  Afinal, como cliente do clube social, ele tem todo o direito de escolher quem atenda a sua demanda por um clube limpo, bonito, organizado e funcional.

O torcedor que compra pacote de pay per view para assistir aos jogos do clube, compra camisa oficial e raramente vai ao estádio é um cliente?  Sim, é um cliente.  É um cliente importante e tem que ser tratado como tal.

E sócio que é torcedor, compra tudo do clube, desde o boné ao chaveiro, vai a todos os jogos e ainda é atleta do clube, é um cliente?  Não, ele não é só um cliente.  Esse é um cliente prêmium, digno de ser paparicado, com direito a busto e tudo.

O que falar do torcedor que compra produtos licenciados pelo clube, frequenta quase todos os jogos na arquibancada, faz parte de torcidas organizadas, viaja pelo país atrás do time, dedica algumas horas semanais se informando sobre o que acontece, gostaria muito de ser um "cidadão tricolor", ter direito a voto, mas mora longe da sede social e não vê sentido em pagar uma mensalidade cara para algo que não vai usar?  Óbvio que é um cliente valiosíssimo e, nessa  condição, assim como nos exemplos acima, merece que o clube desenvolva uma oferta adequada à sua necessidade.

Nunca deixando de entender que existe uma demanda que é inerente a mais de 99% de todo esse universo de clientes:  títulos, vitórias, conquistas, sobretudo no futebol, mas também nos outros esportes.  Esse valor só se conquista com trabalho inteligente, investimentos e forte ênfase em geração de receitas.  Eis aí mais uma razão para a inserção de cada vez mais tricolores no processo decisório do clube, porque é difícil acreditar que o meu primo botafoguense esteja interessado em algo mais que a limpeza da piscina e o bom funcionamento do parquinho.

Logo, piscina limpa e parquinho em perfeito estado para o meu primo botafoguense e, para nós, bons produtos oficiais do clube e licenciados, um plano inteligente de sócio torcedor, com direito a voto, um C.T. moderno, uma arena própria,multi-uso, com valor agregado, como um complexo de entretenimento e compras ( seria pedir demais? ) e títulos, muitos títulos!



 Escrito por Savioli às 11h19 [] [envie esta mensagem] []






Time de Guerreiros - A saga 1 - O retorno de Fred

Em 2009, o dia 12 de outubro era marcado pelo renascimento da esperança tricolor.

Após um meio de semana desastroso, em que o Fluminense empatara com o Coríntians e o Botafogo massacrara o Atlético MG, a esperança se esvaía ante a enorme diferença de 9 pontos que nos separava do Botafogo.

No final de semana, porém, Fred voltava ao Fluminense e comandava a dramática vitória sobre o Santo André, a chamada vitória de seis pontos.  O Fluminense venceu por 2x1, gols de Alan ( um golaço ) e Fred.  No dia 12 de outubro de 2009, o Botafogo, em pleno Engenhão, empatava com o Avaí e a diferença caía para 7 pontos.  A perseguição continuava e a esperança renascia.

Era o segundo jogo da série invicta que nos livraria do vexatório rebaixamento.  O Fluminense subia de produção e já deixara de ser presa fácil para os adversários.  Ficavam faltando nove rodadas.  Eram nove jogos para a salvação.

Nesse 12 de outubro, o Fluminense luta pelo título brasileiro e, no próximo jogo, contra o mesmo Botafogo que perseguíamos a um ano atrás, teremos, ao que tudo indica, o retorno de Diguinho e Emerson.



 Escrito por Savioli às 19h12 [] [envie esta mensagem] []






Uma fria demonstração do porquê de não haver motivo para desanimarmos

Não tenho dúvida de que a História é uma das ciências mais reveladoras da humanidade.  Acredito que poucas coisas podem ser tão proféticas quanto o estudo interpretativo da História, aliado à apreciação de outras ciências.

Pois bem.  Baseado nessa tese, resolvi tomar como base para o estudo de nossas possibilidades uma breve reconstituição histórica.  A partir dela, vamos tentar entender a trajetória tricolor no Brasileirão.

O nosso primeiro momento foi de transição dos péssimos primeiros quatro meses do ano para a era Muricy.  Nossas duas primeiras apresentações no campeonato foram preocupantes.  A partir do terceiro jogo, no entanto, em que pese a derrota para o Coríntians, o Fluminense encontrou uma forma de jogar, que nos proporcionou uma sequência de quatro vitórias, que nos levou à terceira colocação antes da Copa.  Jogávamos no 4/4/2, com Diogo, Diguinho, Conca e Marquinho, algo bem próximo do time que terminou a última partida.  Éramos um time extremamente ofensivo, ao ponto de, todas as vezes que recuávamos um pouco, tomávamos sufoco dos adversários.  Não éramos bons defendendo, mas nosso meio marcava forte, adiantado e não deixava o adversário respirar.  Carlinhos e Mariano eram os laterais e voavam.

Voltando ao jogo do último domingo, o time que jogou cerca de 70% da partida tinha Diogo, Bob, Conca e Marquinho.  Não tínhamos o Diguinho.  Mas também não tínhamos Mariano.  E, embora Rodriguinho dividisse, naqueles dias, a titularidade com Alan, o companheiro de ataque era Fred e não o descalibrado Washington das últimas partidas.  Ou seja, não é só o desfalque de três jogadores importantes, mas a própria destruição da engrenagem tricolor.  Diguinho e Mariano não têm substitutos.  Prova de que, ao contrário do que supúnhamos, estamos longe de ter o melhor elenco do Brasil.

Assim como gosto de História, gosto também da Matemática.  Os números falam por si.  No momento em que a questão elenco nunca foi tão primordial como nos últimos ( por aí ) 45 dias, quem mostrou que o tem foi o Cruzeiro.  A equipe mineira mostra que, em determinadas ocasiões, é melhor ter um elenco homogêneo, com 22 bons jogadores, pelo menos dois para cada posição, do que um time repleto de estrelas sem substitutos capazes de sequer não comprometerem quando entram em campo.  Mas isso é outro assunto e nós, tricolores, o dominamos melhor do que ninguém há muitos anos.

A questão é que, apesar de não termos estado preparados, como pensávamos, para a maratona, o Cruzeiro, que tirou vantagem da mesma, só conseguiu abrir dois pontos.  Com nove rodadas pela frente, dois pontos não chega a ser uma vantagem confortável.  Claro que, se as equipes mantiverem o mesmo padrão recente de comportamento, teremos que nos dar por satisfeitos se conseguirmos uma vaga para a Libertadores.  Temos que reverter a tendência atual já, o quanto antes.

Voltemos então a tentar fundamentar nossas possibilidades a partir da análise histórica.

Aquele Fluminense de antes da Copa, naquele 4/4/2 nunca mais se repetiu, porque Muricy, a partir do jogo contra o Santos, resolveu adotar o 3/5/2.  Naquele esquema, passamos a jogar partidas equilibradas com os rivais.  Mas, mesmo assim, vencemos Santos e Cruzeiro e empatamos com Botafogo, quando estreamos Emerson e perdemos Fred.

A perda de Fred, com mais uma contusão, foi bem suprida pela chegada de Washington e o Fluminense fez a sua melhor sequência de jogos no campeonato.  Com o 3/5/2 melhor assimilado, pela primeira vez o Fluminense jogou uma sequência de partidas em que a defesa esteve segura e os adversários não conseguiam criar as costumeiras oportunidades.  Batemos Atlético PR, Grêmio e Inter e nos preparamos para disparar na frente dos adversários.  Sem contar que Deco estava quase pronto para entrar no time.

Vejamos então.  O Fluminense foi, a partir daquele Fluminense x Coríntians do primeiro turno, o melhor time do campeonato, durante doze a quinze rodadas.  Nesse período teve duas formações extremamente vitoriosas, que se mostravam superiores aos adversários.

A primeira delas tinha os dois zagueiros titulares, Mariano e Carlinhos nas laterais, Diogo, Diguinho, Conca e Marquinho no meio e Fred e Rodriguinho ( ou Alan ) no ataque.  Daquele time, a partir do próximo domingo, só Fred estará ausente.

A segunda tinha os dois zagueiros atuais mais André Luis.  Mariano e Julio Cesar de alas.  Diogo, Diguinho e Conca no meio.  Emerson e Washington no ataque.  Todos estarão à disposição no domingo.

Com essas duas formações, exatamente assim, ou ligeiramente desfalcadas, jogamos dez partidas.  Vencemos 7 vezes, empatamos duas e perdemos uma, sempre sendo muito superiores aos adversários.  E olha que eu estou descartando as vitórias sobre Santos e Cruzeiros, em que não fomos superiores e estávamos no período de transição entre essas duas formações.

Quando perdemos, em sequência, Diogo, Diguinho e Emerson, mesmo com a entrada de Deco, ainda em período de adaptação ao grupo e à própria dinâmica do futebol brasileiro, deixamos de ser superiores aos outros e tornamo-nos, no máximo iguais.  O nosso retrospecto recente prova isso.  Deixamos de ganhar e, raramente, empatar e passamos a oscilar como os outros.

O jogo de domingo mostrou que nem mesmo sem Mariano, sem Diguinho e sem Emerson fomos inferiores ao Cruzeiro, único time que está acima de nós na tabela.  É verdade que o Cruzeiro evoluiu, assim como evoluíram Grêmio e Palmeiras, times que ainda enfrentaremos, assim como o próprio Cruzeiro.

Então eu pergunto o seguinte.  Ainda que tenham chegado no nível do nosso 3/5/2 com Emerson e Washington, estarão no nosso nível quando tivermos Fred no lugar de Washington?

Se voltássemos ao 4/4/2 do início do campeonato, não teríamos Fred, mas teríamos Emerson e Washington, um ataque que foi letal enquanto durou.  Não é suficiente?  Também acho.  Porém, e se tivéssemos Deco no lugar de Marquinho?

Alguns podem não ter notado, mas vínhamos evoluindo para um 4/4/2, com Diogo, Deco e Conca no meio, que estava nos garantindo vitórias desde que foi formado.  Foi assim a partir de Fluminense 5x0 Atlético MG, passando pelas vitórias sobre o Vitória e sobre o Avaí, até o primeiro tempo contra o Prudente.  Com a saída de Deco contra o Prudente, o time cedeu o empate.  Em seguida, sem o meia e já sem Mariano perdemos para o Santos.  Contra o Cruzeiro, enquanto Deco esteve em campo, fomos superiores ao advesário.

Só para não me alongar tanto, o que estou querendo mostrar é que Muricy tem diversos caminhos a seguir e que, a partir do próximo domingo, temos tudo para alcançar o mesmo patamar de desempenho que nos garantiu quinze rodadas de invencibilidade e a liderança do campeonato.  Por isso, em que pese a dura tabela que temos pela frente, estamos muito firmes na briga pelo título.



 Escrito por Savioli às 15h11 [] [envie esta mensagem] []






Por que ficamos tão chocados?

Repercutiu muito mal a atitude da seleção brasileira, que facilitou a vitória da Bulgária, no mundial de vôlei, de forma a obter vantagens para si própria.

Não é o primeiro caso.  Lembro de ter visto o mesmo ocorrer em outra competição, no vôlei feminino, se não me engano, com a Rússia.  Uma partida entre Áustria e Alemanha, na Copa de 74, em que o empate garantia a classificação das duas seleções para a fase seguinte, foi marcada por uma constrangedora marmelada.

Em 1997, o Atlético PR, sob pressão da torcida, teve atuação suspeita e foi derrotado pelo Criciúma na última rodada do Campeonato Brasileiro.  O objetivo:  rebaixar o Fluminense, por conta dos incidentes envolvendo o goleiro Ricardo Pinto e a torcida do Fluminense.  O Atlético parece não ter sido o único.  O Flamengo, também, teve atuação suspeita, ao colocar um time misto para enfrentar o Bahia, sendo derrotado por 1x0 no Rio.

No ano passado, aparentemente visando prejudicar os rivais São Paulo e Palmeiras, que brigavam pelo título brasileiro, o Coríntians teve uma atuação rocambolesca contra o Flamengo, na penúltima rodada do campeonato, sendo derrotado por 2x0.  O último jogo foi marcado pelo desinteresse gremista, perdendo para o Flamengo por 2x1, de virada, após intensa campanha para que entregasse o jogo e declarações comprometedoras até mesmo de seu presidente.

Coisas assim assustam, mas, em se tratando de fraudes, o futebol brasileiro está repleto de situações constrangedoras.

De forma que, nada justifica o que fez a seleção brasileira de vôlei, porque sermos tolerantes com pequenas fraudes é o caminho para nos conformarmos com as grandes.  O Brasil não foi o primeiro a jogar com o regulamento debaixo do braço.  A própria Bulgária jogou com o time reserva, mesmo caso da Rússia.

O que não podemos é ser hipócritas.  Perder para se beneficiar do regulamento é contra a ética esportiva.  Mas nada pode ser tão lesivo, tão réprobo quanto perder deliberadamente para prejudicar uma outra agremiação.  É algo que deveria ser execrado pela opinião pública.

Ao perder para se beneficiar do regulamento, você está mostrando apenas que esse é mal formulado e colocando em dúvida a própria integridade.  Ao perder para prejudicar outro, você está comprometendo o resultado esportivo de uma competição, tirando-lhe a legitimidade.  O que é pior?

Se os brasileiros e brasileiras não se incomodam com a segunda prática, por que se incomodar com a primeira?  Fiquemos à vontade para comemorar o tri, sem peso na consciência. 



 Escrito por Savioli às 12h02 [] [envie esta mensagem] []






Pior para os fatos

Se há uma semana atrás o RR+PAF já indicava uma forte possibilidade de o Cruzeiro terminar o campeonato em primeiro, hoje, a confirmarem-se as tendências, isso seria fato praticamente consumado.

Após uma semana em que o Cruzeiro venceu e Fluminense e Coríntians perderam duas vezes, os números mostram o óbvio:  o Fluminense tem que reverter a tendência atual.  Parece menos propício a ter a vaga na Libertadores ameaçada que o Coríntians, mas, para garantir o título, deve começar a pensar em 74 pontos.  Isso significa conquistar 22 dos 27 pontos em disputa, ou, sete vitórias e um empate.

Não quer dizer que o Fluminense só será campeão se atingir os 74 pontos.  Até porque, o Cruzeiro, que força os números para cima, ainda tem um RR+PAF que indica movimento, que, tanto pode ser para baixo, como para cima.

O que parece certo, no entanto, é que o decorrer da semana será revelador sobre nossas chances de reverter esse quadro preocupante.

 

Cruzeiro ( 74 a 69 pontos ) - O Cruzeiro vem rodando numa velocidade superior aos seus concorrentes ao título.  A seguir a tendência atual, a equipe mineira pode até conquistar o título antes da última rodada, segundo os números.  A diferença de cinco pontos entre a máxima e a mínima ainda indica movimento, que pode ser para baixo ou para cima.  Ou seja o favoritismo cruzeirense é uma tendência ainda não consolidada, mas, comparando aos números do Fluminense, é algo que pode se consolidar nas próximas rodadas.

Fluminense ( 68 a 63 pontos ) - A diferença de cinco pontos entre os extremos indica movimento e reflete a oscilação do Fluminense nos últimos tempos.  Oscilação essa que, a continuar, inviabiliza o projeto do tri.  Só uma coisa agora mantém o Fluminense na luta pelo título:  reverter a tendência atual.  Tudo dependerá muito dessa semana, em que o time poderá se preparar e reincorporar alguns excelentes jogadores que vem fazendo muita falta.  O possível afastamento de Deco, no entanto, preocupa.  Nesse momento, o quadro não é animador.

Coríntians ( 65 a 61 pontos ) - Empatar com Ceará e perder para o Atlético GO em casa é para quebrar qualquer paradigma.  Com duas derrotas e um empate nos últimos três jogos, tudo indica que o Coríntians ruma para longe da briga pelo título.  Se não reverter essa tendência e, pelo menos, voltar a ganhar os jogos em casa, a vaga na Libertadores pode ficar ameaçada.

Inter ( 64 a 63 pontos ) - O Inter variou muito pouco desde a última aferição.  Por isso, precisa vencer a partida contra o Santos, amanhã, para poder almejar o título.  A princípio, mantém a tendência de não incomodar.

Grêmio ( 63 a 56 pontos ) - Continua com forte tendência de deslocamento na tabela.  Qual o Inter, variou muito pouco a pontuação. Se tornou uma ameaça ao Coríntians no quesito vaga para a Libertadores, mais pelos surpreendentes resultados negativos do Timão do que por uma semana arrebatadora gremista.

Palmeiras ( 61 a 55 pontos ) - Outro com forte tendência de movimento.  Não está descartado se juntar ao Grêmio no grupo dos que podem incomodar o Coríntians.  Variou para cima em relação à última semana.

Santos ( 60 a 59 pontos ) - As duas vitórias seguidas movimentaram o Peixe para cima, mas não deve se juntar à briga pelo título, segundo o RR+PAR.

Atlético PR ( 59 a 57 pontos ) - Tendência de terminar o campeonato do meio para cima da tabela.

Botafogo ( 59 a 54 pontos ) - Tenência de movimento, porém dentro da zona da Sulamericana.

São Paulo ( 54 a 51 pontos ) - Meio de tabela bem caracterizado

Vasco ( 53 a 50 pontos ) - Idem ao São Paulo.

Ceará ( 51 a 49 pontos ) - O Vozão está com cara de Sulamericana.  Deve passar a distância segura do rebaixamento.

Flamengo ( 46 a 44 pontos ) - Termina na faixa mínima de segurança contra o rebaixamento.

Guarani ( 46 a 42 pontos ) - Não parece propenso a cair, mas pode ter um final mais emocionane do que supunha o RR+PAR da semana passada.

Vitória ( 42 a 39 pontos ) - Depois que deixou de vencer os jogos em casa, torna-se candidato a sofrer até o final.

Atlético GO ( 41 a 38 pontos ) - Depois de ter segurado a lanterna por quase todo o primeiro turno, tem reais chances de escapar da degola.

Goias ( 40 a 39 pontos ) - A luta continua.

Avaí ( 40 a 36 pontos ) - Quem te viu, quem te vê!

Atlético MG ( 39 a 38 pontos ) - Mais um que luta até o fim para escapar do rebaixamento.

Prudente ( 27 a 25 pontos ) - Não foi ainda?



 Escrito por Savioli às 12h21 [] [envie esta mensagem] []






Mostramos nossa força e perdemos

Mal começou o jogo e o Cruzeiro se sentiu motivado para nos agredir.  Porém, com o decorrer do jogo, percebeu que não era assim que a banda tocava.   O Fluminense começou a criar oportunidades, por conta de um bom repertório ofensivo.

Infelizmente aconteceu o gol cruzeirense, às custas de uma jogada de grande visão de Montillo.

Mesmo com o gol sofrido o Fluminense não se abateu.  Quando passou a ter o domínio do jogo, mostrou que poderia conquistar a vitória a qualquer momento.

Rodriguinho e Washington, no entanto, pareciam resolvidos a não transformar em gol as oportunidades que criávamos.  Com isso o primeiro tempo terminou com vitória do Cruzeiro e, pior, perdemos Deco ainda no decorrer do primeiro tempo.  Mais uma vez.

No segundo tempo, sem a importante articulação no meio, o Fluminense sofreu, no começo, a pressão adversária.  O Cruzeiro teve a chance de ampliar e chegou a colocar uma bola no travessão.

No entanto, o Fluminense foi, aos poucos, equilibrando o jogo novamente, até voltar a ameaçar o adversário, apesar da dificuldade de se articular em campo.

Para nosso conforto, enquanto isso, o Coríntians se fartava de levar gols do Atlético GO, que chegou a fazer 4x1, dentro do Pacaembu.  O jogo terminou em 4x3, resultado que nos manteve na segunda colocação.

As mudanças de Muricy não surtiram efeito, sobretudo a troca dos dois laterais.  Foi seis por meia dúzia.

Foi um belo jogo, mas não a decisão do campeonato.  Esse time do Cruzeiro não é o que falam.  Foi um jogo em que, se houvesse um resultado justo, seria a vitória tricolor.  Se não fosse a incompetência de nossos atacantes também.

Não acabou nada.  Esperaremos a inusitada rodada de meio de semana para analisar o que será a reta final do campeonato, que começa no próximo final de semana.

O Fluminense mostrou hoje que tem o melhor time.  Duas derrotas seguidas podem dizer o contrário.  Na verdade elas só dizem que ter o melhor time não significa, necessariamente, ganhar o campeonato.  E a nossa tabela daqui para a frente mostra que precisaremos fazer muito mais que fizemos hoje.

Vamos ver qual será o impacto do retorno de Emerson e Diguinho.  Diguinho poderá suprir a ausência de Deco, cuja contusão parece fadada a deixá-lo algum tempo de fora.  Já estamos acostumados.  Já a volta de Emerson capacitará mais o nosso ataque, responsável direto pelo insucesso de hoje.

Nesse momento, não há como não dizer, tudo favorece ao Cruzeiro.  Porém, a derrota inesperada do Coríntians nos foi favorável, já que o time paulista tem a melhor tabela pela frente.  Entretanto, parece estar em queda livre.

Logo, ao que tudo indica, o título ficará entre Fluminense e Cruzeiro.  Talvez tenhamos um terceiro postulante a sair do jogo de quarta entre Santos e Inter.

Por conta disso, uma coisa é certa.  O Fluminense, no jogo do próximo domingo, precisará de sua torcida.  Pegamos o Botafogo, no Engenhão.  O Cruzeiro vai a Porto Alegre pegar o Grêmio.  Excelente chance para retomarmos a ponta.

Essa rotina estafante de jogos pelo mesmo campeonato duas vezes por semana, além de bagunçar qualquer planejamento, não nos permite fazer uma análise mais qualificada.  A partir de agora, no entanto, podemos prometer uma análise mais qualificada.  Prometo fazê-la da próxima vez.

No próximo final de semana, começaremos um novo campeonato.

Vamos arrancar na frente?



 Escrito por Savioli às 18h59 [] [envie esta mensagem] []






E vai ser agora que eu não vou acreditar?

Eu sabia que aquela tarde de domingo não seria uma tarde comum.  Muito pelo contrário.  Era uma tarde em que tudo podia acontecer, desde a mais desoladora tragédia à redenção apoteótica.

Na ocasião, vinha desenvolvendo o hábito muito peculiar do isolamento todas as vezes que o Fluminense jogava fora de casa.  Me cercava de algumas cervejas e me concentrava como quem fosse parte ativa de cada batalha.  De certa forma, posso até dizer que me reportava em espírito para o vestiário, a preleção e entrava em campo junto com o time.  Era assim que se portava, se não o meu corpo, a minha alma.

Já parecia resolvido que a nossa tarefa se resumia a perseguir e ultrapassar o Botafogo.  Assim, nos livraríamos do vexatório rebaixamento, já que os demais oponentes - Náutico, Sport e Santo André - não demonstravam ter forças para reagir.

Por conta disso, estando o Botafogo cinco pontos à nossa frente, fazia-se indispensável secar o alvi-negro, que enfrentava o Internacional, candidato ao título, no Beira-Rio.  Na pior das hipóteses, se a vitória colorada, mais do que prevista, se consumasse, o pior dos quadros nos manteria a cinco pontos do Botafogo.  Afinal, enfrentaríamos um mineirão lotado para apoiar a sensação do momento, o Cruzeiro, que, a partir daquele jogo, poderia construir a sua trajetória para o título.

Depois daquela rodada, nos restariam mais cinco, onde tentaríamos tirar a diferença de cinco pontos, sendo que a tabela nos era amplamente mais favorável.  Além disso, o Fluminense crescia a olhos vistos.  No jogo anterior derrotáramos com autoridade o Atlético MG, outro candidato ao título na ocasião.

Jogaríamos às 18:30 já sabendo o resultado do Botafogo, que jogaria às 16:00.  E o Botafogo fez 1x0.  Qualquer apreciação lógica da situação indicava que era questão de tempo o Inter reagir e reverter o placar.  Tempo que foi passando, passando...

De tanto o tempo passar e o Inter mostrar total incompetência para furar a retranca alvi-negra, o tempo passou, acabou, desesperou.

O jogo acabou e o Botafogo, naquele momento, abria uma vantagem de oito pontos sobre nós.  Era o purgatório, só faltava o inferno.  Só nos restava uma única alternativa: a vitória.  Até porque o Coritiba também acabava de vencer e abrir sei lá quantos pontos de diferença.

Que não me cobrem precisão sobre os fatos, porque estamos falando de algo em que os detalhes não fazem a menor diferença.  O símbolo do Cruzeiro é a raposa, que logo, como escrevi na minha crônica do dia seguinte, tornou-se um tigre, com nossa sentença de morte entre os dentes.

Nossos guerreiros lembravam, no decorrer do primeiro tempo, os trezentos de Esparta, numa luta perdida.  Contra nós, o peso de um Mineirão lotado de cruzeirenses, um adversário motivado e todo o peso da responsabilidade e da ameaça do final trágico.  Se o Fluminense teve a grande oportunidade de abrir o placar, tendo Maicon tropeçado na grama ao driblar o goleiro, o Cruzeiro teve todas as demais.  Em que pese a postura destemida do Flu, sempre buscando o ataque, o Cruzeiro, com facilidade, fez 2x0.  Perdeu até pênalti e estaria fazendo gols até hoje se aquele fatídico primeiro tempo não houvesse acabado.

Eu, do alto da minha solidão e impotência, contemplava o quadro patético e desolador, sorvendo o amargo sabor do fracasso.

Restavam-nos quarenta e cinco minutos para fazer o improvável.  Os comentaristas e o senso comum já falavam das chances do Cruzeiro, agora ampliadas, de chegar ao título.  Para nós, só a irrelevância de nossa condição miserável.

Como então entender que, daqueles quinze minutos fatídicos de intervalo, eu pudesse tirar forças, só Deus sabe de onde, para acreditar?

O time voltou a campo, com mais um zagueiro - mais um zagueiro? -., no 3/5/2.  O que queria Cuca com aquilo?  Evitar um vexame maior?  Sei lá o que queria Cuca!  Eu sei o que eu queria:  a vitória.  E sei o que não queria:  o rebaixamento iminente.

Sei que acreditei, desde o primeiro minuto daquele segundo tempo, no milagre e na minha loucura.  Loucura essa que me fez levantar da poltrona e sozinho, alucinado entoar gritos de guerra, como na arquibancada do Maracanã.  Em que isso ajudaria o time?  Sei lá!  Me ajudava a não morrer.  Me ajudava a fazer parte daquela batalha, mesmo que, ao olhar mais superficial, só me garantisse o atestado de loucura e, durante os dias que se seguiram, o olhar meio crítico, meio incrédulo, meio debochado dos vizinhos ao pronunciar o cumprimento:  oi tricolor!

Isso porque, no primeiro gol tricolor, marcado por Gum, o prédio tremeu.  No segundo gol, marcado por Fred, alguns devem ter pensado tratar-se da terceira guerra mundial.

O terceiro era questão de tempo.  Tudo e, sobretudo, o silêncio que abateu-se sobre o Mineirão, indicava que algo sobrenatural aconteceria ali.  Quando Fred marcou o gol da virada, um dos mais importantes da história do Fluminense F.C., tenho plena convicção de que o meu berro ensandecido se fez ouvir em todo o Rio de Janeiro.  Os intermináveis minutos que se passaram entre aquele gol e o apito final nunca mais sairão da memória da humanidade.  E assim o digo porque tratava-se do Fluminense vivendo um momento mágico, no limite entre a tragédia e o imponderável.

O Fluminense venceu e, a partir dali, louco não era mais eu, mas quem ousasse duvidar de que o Fluminense escreveria uma das mais lindas histórias já vistas.  Uma história com final feliz.

Mas o final feliz, ao contrário do que muitos pensam, ainda não foi escrito.

Nesse domingo o Fluminense disputa, contra o mesmo Cruzeiro, a liderança do campeonato brasileiro de 2010.

A história não acabou.  Aguarda ansiosa por nossa fé, nossa paixão e, sobretudo, por nossa loucura.



 Escrito por Savioli às 02h18 [] [envie esta mensagem] []






A questão licenciamento e o Fluminense F.C.

Numa definição bem resumida, mas nem por isso inexata, licenciamento nada mais é que um processo de negócios em que o proprietário de uma marca autoriza a sua utilização por um terceiro.

Parece bem simples não é?  Mas, suponhamos que o caro leitor tenha uma marca consolidada e valiosa.  Você licenciaria a sua marca a alguém que pudesse usá-la de forma que colocasse em risco o prestígio da mesma?

Eis aí o ponto de partida para tratarmos um assunto que, a princípio e, na boca dos leigos, pode parecer muito simples.  Mas não é.  Muito pelo contrário, é extremamente complexo.  Sua marca tem uma personalidade e dialoga com clientes que mantêm seu prestígio.  Podemos dizer que a marca não pertence ao seu proprietário e sim a seus clientes.  Por isso, aquele que se propõe a ser um licenciado, necessariamente tem que estar buscando atender ao seu cliente em potencial.

Ou seja, assim como o franqueado, o licenciado vai levar a sua marca aonde você, por qualquer razão, não pode levar.

Eis a razão porque o licenciamento tem que ser tratado, em primeiro lugar, de forma rigorosa quanto à elaboração de regras que garantam que a integridade da marca será preservada.  Ao contrário da franquia, em que o proprietário empresta a seus franqueados o modelo de gestão e os processos, no caso do licenciamento não há esse apoio.  A qualidade da oferta é de pura responsabilidade do licenciado.  Por isso, as regras têm que ser claras.

Mas não pára por aí.

Nós dissemos, em outras palavras, que o objetivo do licenciamento é levar a marca aonde o proprietário não tem recursos próprios para levá-la.

Falemos da marca Fluminense.  A marca Fluminense é dona de uma demanda por artigos esportivos.  O Fluminense tem uma torcida que quer usar, vamos supor, a camisa do clube.  O Fluminense não tem uma fábrica de tecidos, não tem uma confecção, tampouco uma equipe de estilistas e muito menos expertise para criar, fabricar e distribuir camisas do clube.  Qual a solução?  O Fluminense licencia a sua marca para que um fabricante de materiais esportivos produza as camisas e as distribua.  Em troca, o Fluminense recebe royalties sobre as vendas.

Até aí é fácil.  Porém, voltando à mesma tecla, o Fluminense não pode licenciar a sua marca para qualquer fabricante.  O Fluminense precisa associar-se a alguém que já tenha, através de sua atuação no mercado, comprovado que é capaz de produzir camisas com qualidade superior, estilo e bom gosto, entre outras características que o torcedor do clube preze.  Mais do que isso, é necessário observar se esse fabricante possui uma rede de distribuição capaz de fazer chegar o produto ao consumidor final.  Além disso, é preciso saber se os valores ligados à marca do licenciado, ou, caso esse não seja uma, os valores do seu negócio, dialogam harmoniosamente com a marca do licenciador.

Tudo isso que estou escrevendo, caro leitor, é para mostrar a complexidade do assunto.  No entanto, o ponto a que quero chegar é a questão da inversão de lógica.  É bom que se diga que não há a menor possibilidade de alguém desejar explorar a marca Fluminense com outro propósito que não seja atender à torcida do Fluminense.  Mas aí vem a pergunta:  a quem interessa mais que o ao próprio Fluminense atender à demanda de sua torcida?

O que temos ouvido muito em nossa exploração recente dos problemas tricolores é que o Fluminense é um agente passivo.  Ou seja, a iniciativa de propor o negócio é do futuro licenciado, o que a princípio, pensará o leitor, não faz, do ponto de vista financeiro, a menor diferença.  Sim, pode ser, se pensarmos que esse licenciado conheça muito bem o torcedor do Fluminense, tenha uma oferta estruturada para atendê-lo e reúna todas as condições para fazer chegar o produto ao consumidor, maximizando as vendas do mesmo.  Além disso, devemos esperar que as regras estabelecidas no contrato, além de preservar a integridade da marca, sejam claras quanto aos mecanismos que garantam a fiscalização dos resultados comerciais do produto, garantindo que o Fluminense receba de fato o percentual estabelecido sobre a totalidade das vendas.

A pergunta é:  se nem o Fluminense conhece o seu torcedor e o mar de oportunidades de negócios que esse pode lhe proporcionar, como esperar que um parceiro de negócios conheça?  Por outro lado, é improvável que o licenciado não tenha uma estratégia, por mais dissociada que esteja do conjunto de características da marca e de seu cliente, o que é mais preocupante ainda.

Eis aí a inversão da lógica!  Se dissemos que o licenciamento é uma estratégia para o proprietário da marca levá-la aonde ele não consegue ir, estamos dizendo que trata-se de uma estratégica do dono da marca e não do licenciado.  Logo, presume-se que o licenciamento faz parte da estratégia de Marketing do dono da marca.  Isso quer dizer que o Fluminense F.C. precisa ter um planejamento de Marketing, que lhe permita conhecer seu cliente, conhecer o tamanho do mercado da marca - e isso não tem relação com tamanho da torcida e sim com o potencial comercial - e quais os hábitos de compra desse cliente.

A partir dessa construção de conhecimento cabe ao clube estruturar ofertas para atender adequadamente e de forma lucrativa o seu cliente.  Só então entra em pauta a estratégia de licenciamento.  Ao contrário do que acontece hoje, no mundo ideal o Fluminense, de posse de um conjunto de ofertas com comprovado potencial de ganhos, sai à procura de parceiros para materializá-las, sabendo, inclusive, quanto quer ganhar.  Podendo, ainda, realizar planejamento financeiro em cima de receitas futuras, a partir das previsões de ganhos.

Mais do que isso.  O Fluminense, ao lançar-se à iniciativa de planejar seu negócio e procurar parceiros para materializar ofertas, de uma só vez resolve dois problemas.  O primeiro deles é a falta de critérios.  Ao ter seu planejamento, o clube já tem um perfil dos parceiros que deseja contar e vai direto ao lugar certo.  O segundo deles é a questão da fiscalização.  Quando se tei um planejamento de Marketing, o profissional sabe qual a previsão de venda de cada produto, o que por si só, já dá a dimensão de seus ganhos e um meio de fiscalizar o cumprimento do contrato.

Parece algo fora da realidade?  Não.  Não há nada fora da realidade, a partir do momento que o Fluminense F.C. entenda que tem que ter um departamento de Marketing muito bem estruturado, comandado por um profissional gabaritado.  Esse é o começo de tudo.  Sucesso e dinheiro não caem do céu. Tem que ter muito trabalho, planejamento, tempo e investimento.  Ou muita sorte.  Na questão do licenciamento é bom desprezar a segunda opção.



 Escrito por Savioli às 16h32 [] [envie esta mensagem] []






Sem tempo para chorar

Fred chorou no vestiário.  Tem lá suas razões.  É impossível acreditar que um jogador de futebol goste de ficar tanto tempo afastado do exercício de sua profissão para, ao retornar, ver-se diante da possibilidade de ficar mais um longo tempo de fora.

E paremos por aí.

Falemos daquela tal conspiração cósmica a favor do Fluminense, que resolveu se opor à conspiração dos gabinetes.  Falo da conspiração que levou o Inter a viajar para Fortaleza com menos da metade do time titular e ser derrotado pelo Ceará.  O mesmo Ceará que nos fez o favor de tirar dois pontos do Coríntians dentro do Pacaembu.

Falando em Coríntians, a conspiração cósmica deve estar na origem dos atritos entre Neymar e Dorival Junior, que culminaram na demissão do treinador.  Assim como deve estar por tras da demissão de Vanderlei Luxemburgo do Galo, logo após a equipe mineira ter sido goleada pelo Fluminense.  Tais episódios acabaram levando Dorival para o Atlético, cujo qualificado plantel resolveu reagir no campeonato e, em virada magistral sobre o Coríntians, nos garantiu a continuidade da vantagem de tres pontos sobre o clube paulista.

Motivado com as duas vitórias, o Galo vai pegar o Inter em Porto Alegre.  E o Galo ainda pega o Cruzeiro.  Que a conspiração continue e, falando em Cruzeiro, que a noite goiana esteja sob os auspícios do verde da esperança.



 Escrito por Savioli às 11h38 [] [envie esta mensagem] []




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